CABO ALARME DE INCÊNDIO

O Guia Definitivo do Cabo Alarme de Incêndio: Normas e Aplicações Técnicas

 

cabo alarme de incendio representa a espinha dorsal de qualquer sistema de detecção e alarme de incêndio (SDAI) confiável e eficiente. A sua correta especificação, instalação e manutenção são cruciais para garantir a segurança de vidas e do patrimônio. Para engenheiros, instaladores e estudantes da área, compreender as nuances técnicas e normativas deste componente não é apenas um diferencial, mas uma exigência para a execução de projetos seguros e em conformidade. Este artigo técnico explora em profundidade o universo do cabo alarme de incendio, abordando desde suas características construtivas até as diretrizes de instalação e a importância da conformidade com as normas vigentes, como a ABNT NBR 17240.

 

A Importância Crítica do Cabo Alarme de Incêndio no SDAI

 

A função primordial de um cabo alarme de incendio é assegurar a comunicação ininterrupta entre todos os dispositivos do sistema. Desse modo, ele interliga a central de alarme a detectores de fumaça e calor, acionadores manuais e sirenes de evacuação. Consequentemente, qualquer falha ou especificação incorreta neste componente pode comprometer todo o sistema, tornando-o inoperante em uma situação de emergência. Portanto, a escolha de um cabo de alta performance é um investimento direto na confiabilidade e na resposta rápida do sistema de detecção, sendo um elemento que jamais deve ser negligenciado no projeto.

 

Entendendo a Norma ABNT NBR 17240

 

A norma ABNT NBR 17240 é a principal referência no Brasil para o projeto, instalação, comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme de incêndio. Em relação ao cabo alarme de incendio, a norma estabelece requisitos claros para garantir sua eficácia. Ela dita, por exemplo, que os cabos devem possuir características de não propagação de chama e, em certas situações, de resistência ao fogo. Além disso, a norma orienta sobre a infraestrutura e a separação de circuitos, visando proteger a fiação contra danos mecânicos e interferências que possam afetar a integridade dos sinais.

 

Características Construtivas

 

Um cabo alarme de incendio de qualidade é projetado com materiais específicos para atender às rigorosas exigências de segurança. Tipicamente, ele é composto por condutores de cobre eletrolítico nu, de têmpera mole e com encordoamento de classe 4 ou 5, o que lhe confere flexibilidade. A isolação das vias internas é comumente feita em Composto Termoplástico (PVC/E) para 105°C. Ademais, a cobertura externa, geralmente na cor vermelha para fácil identificação, é fabricada em PVC ST2, um material que retarda a propagação de chamas, sendo um fator de segurança indispensável.

 

A Função da Blindagem

 

A blindagem é um componente essencial para a maioria das aplicações do cabo alarme de incendio. Ela consiste em uma fita de poliéster aluminizada, aplicada helicoidalmente sobre os condutores, e um condutor dreno de cobre estanhado em contato contínuo com a fita. Essa construção cria uma barreira (Gaiola de Faraday) que protege os sinais de dados contra interferências eletromagnéticas (EMI) geradas por cabos de energia, motores e outras fontes de ruído elétrico. Portanto, o uso do cabo blindado é fundamental para garantir a integridade e a clareza da comunicação no sistema.

 

Tipos de Formação

 

Para atender às diversas necessidades dos projetos, o cabo alarme de incendio é fabricado em diferentes formações. As configurações mais comuns incluem cabos com 1 par (2 vias), 1 terna (3 vias) ou 1 quadra (4 vias). A escolha depende da arquitetura do sistema, seja ele convencional ou endereçável, e dos dispositivos que serão interligados. Por exemplo, sistemas mais complexos que exigem comunicação de dados e alimentação no mesmo cabo podem se beneficiar de cabos com múltiplos pares, otimizando a instalação e a organização da infraestrutura.

 

Especificações de Isolação

 

A isolação das vias internas de um cabo alarme de incendio é um fator determinante para sua performance e segurança. Utiliza-se geralmente um composto de PVC especial, classificado como PVC/E, que suporta temperaturas de operação de até 105°C. Essa característica é vital, pois em um princípio de incêndio, a elevação da temperatura no ambiente é inevitável. Assim, o cabo precisa manter sua integridade dielétrica e estrutural por tempo suficiente para que o sistema cumpra sua função de alertar os ocupantes da edificação, garantindo que o composto isolante não entre em colapso prematuramente.

 

A Cobertura Vermelha e a Identificação do Cabo Alarme de Incêndio

 

A cor vermelha da cobertura externa do cabo alarme de incendio não é uma escolha estética, mas sim uma convenção normativa para identificação visual rápida e inequívoca. Durante a instalação e, principalmente, em futuras manutenções ou inspeções, essa padronização permite que os técnicos localizem facilmente os circuitos do sistema de alarme, evitando intervenções acidentais em outros sistemas elétricos. Dessa forma, a cor funciona como um elemento de segurança passiva, simplificando o trabalho em campo e minimizando o risco de erros operacionais que poderiam desativar o sistema.

 

Aplicações em Sistemas Convencionais de Alarme

 

Nos sistemas de alarme convencionais, onde os dispositivos são agrupados em laços ou zonas, o cabo alarme de incendio tem a função de transmitir o sinal de estado (normal ou alarme) de um conjunto de detectores ou acionadores para a central. Embora mais simples, a confiabilidade da fiação é igualmente crucial. Frequentemente, utilizam-se cabos de duas vias para conectar os detectores e acionadores. Por conseguinte, é imperativo que o cabo mantenha a continuidade do circuito, pois qualquer interrupção em um laço pode resultar na falha de detecção em toda uma área protegida.

 

Aplicações em Sistemas Endereçáveis de Alarme

 

Em sistemas endereçáveis, a tecnologia permite que cada dispositivo tenha um endereço único, proporcionando uma identificação precisa do ponto de alarme. Neste cenário, o cabo alarme de incendio transporta não apenas energia, mas também pacotes de dados complexos entre a central e os dispositivos. Por isso, a proteção contra interferências eletromagnéticas se torna ainda mais crítica. A utilização de cabos blindados e, por vezes, com pares trançados, é mandatória para garantir a fidelidade da comunicação digital, evitando alarmes falsos ou falhas na supervisão dos elementos do sistema.

 

O Papel do Cabo Alarme de Incêndio na Resistência ao Fogo

 

Além da característica de não propagar chamas, em certas edificações com alto risco ou rotas de fuga extensas, a norma ABNT NBR 17240 pode exigir um cabo alarme de incendio com resistência ao fogo. Isso significa que o cabo deve ser capaz de manter a continuidade elétrica e a integridade do circuito mesmo quando diretamente exposto às chamas por um período determinado, como 30, 60 ou 90 minutos. Essa propriedade é vital para que os alarmes audiovisuais e outros sistemas de emergência continuem operando durante a evacuação.

 

Diretrizes de Instalação: Separação de Circuitos

 

Uma diretriz de instalação fundamental é manter o cabo alarme de incendio fisicamente separado de cabos de outras instalações, como energia elétrica, telefonia e redes de dados. A NBR 17240 recomenda que os cabos do SDAI sejam instalados em eletrodutos exclusivos. Quando a passagem em bandejas ou eletrocalhas com outros cabos for inevitável, deve-se garantir uma distância mínima de separação. Esta prática previne danos mecânicos e, sobretudo, minimiza a indução de ruídos eletromagnéticos que podem levar a falhas de comunicação e alarmes intempestivos.

 

A Escolha da Bitola Correta

 

A seleção da bitola (seção transversal do condutor), como 0,75 mm², 1,50 mm² ou 2,50 mm², é um cálculo de engenharia essencial. A escolha incorreta da bitola do cabo alarme de incendio pode causar quedas de tensão excessivas ao longo do circuito. Consequentemente, a tensão que chega aos dispositivos mais distantes da central pode ser insuficiente para seu correto funcionamento. O cálculo deve, portanto, considerar a corrente elétrica exigida por todos os dispositivos do laço e a distância total do cabeamento para assegurar que todos os componentes recebam a energia necessária.

 

Cabo Alarme de Incêndio Blindado vs. Não Blindado

 

A decisão entre utilizar um cabo alarme de incendio blindado ou não blindado depende diretamente do ambiente da instalação. Em locais com baixa interferência eletromagnética, um cabo sem blindagem pode ser suficiente. Contudo, em ambientes industriais, hospitais ou edifícios comerciais com grande quantidade de equipamentos elétricos, a blindagem é indispensável. Embora represente um custo ligeiramente maior, o cabo blindado oferece uma camada de proteção robusta, garantindo a confiabilidade do sistema e evitando os custos associados à localização e correção de falhas intermitentes.

 

A Conexão do Dreno

 

Durante a instalação de um cabo alarme de incendio blindado, a correta conexão do condutor dreno é um passo crítico que não pode ser ignorado. O dreno deve ser conectado ao terminal de aterramento ou referência de sinal em apenas uma das extremidades do cabo, geralmente na central de alarme. Esta técnica evita a formação de “loops de terra”, que poderiam criar um caminho para a circulação de correntes indesejadas, paradoxalmente transformando a blindagem em uma fonte de ruído. Uma terminação inadequada pode anular completamente os benefícios da blindagem.

 

Instalação em Eletrodutos: Proteção Mecânica

 

A infraestrutura por onde o cabo alarme de incendio passará deve garantir sua proteção mecânica contra esmagamentos, cortes ou outros danos que possam ocorrer durante a vida útil da edificação. A utilização de eletrodutos metálicos ou plásticos rígidos antichama é a prática mais recomendada. Além de proteger o cabo, os eletrodutos facilitam futuras substituições ou adições de cabos ao sistema. Desse modo, a integridade física do cabo é preservada, assegurando a longevidade e a operação contínua e confiável do sistema de alarme de incêndio.

 

Testes e Comissionamento do Cabeamento

 

Após a conclusão da instalação, a etapa de comissionamento é essencial para validar a integridade de cada cabo alarme de incendio. Devem ser realizados testes de continuidade para verificar se não há interrupções nos condutores. Além disso, testes de isolação são executados para garantir que não existam curtos-circuitos entre os condutores do mesmo cabo ou entre o cabo e o sistema de aterramento. Somente após a verificação completa de toda a fiação é que os dispositivos de campo (detectores, sirenes) devem ser conectados e o sistema energizado para os testes funcionais.

 

Manutenção Preventiva

 

A manutenção preventiva do sistema de alarme de incêndio deve incluir inspeções periódicas na infraestrutura do cabeamento. Embora o cabo alarme de incendio seja um componente passivo, é importante verificar visualmente se não há danos aparentes nos eletrodutos, caixas de passagem e no próprio cabo em pontos de acesso. Deve-se observar sinais de corrosão, umidade ou alterações no layout da edificação que possam ter exposto ou danificado a fiação. Essa verificação ajuda a antecipar problemas e garantir que o cabo permaneça em perfeitas condições operacionais.

 

O Impacto da Qualidade do Cabo na Redução de Alarmes Falsos

 

Alarmes falsos geram transtornos, custos de evacuação desnecessários e, pior, podem levar à complacência e descrédito do sistema. Uma causa comum para alarmes falsos ou falhas de supervisão é a má qualidade da comunicação, frequentemente ligada a um cabo alarme de incendio inadequado ou mal instalado. Um cabo com blindagem eficiente e bitola corretamente dimensionada proporciona um sinal limpo e estável, reduzindo drasticamente a probabilidade de a central interpretar ruídos elétricos como um sinal de alarme. Portanto, investir em um cabo de qualidade é também investir na credibilidade do sistema.

 

Inovação e Futuro do Cabo Alarme de Incêndio

 

A tecnologia dos sistemas de segurança continua a evoluir, e com ela, as exigências sobre o cabo alarme de incendio. A tendência aponta para cabos com maior capacidade de transmissão de dados para suportar sistemas inteligentes e integrados, que unem detecção de incêndio com controle de acesso e automação predial. Além disso, a pesquisa por materiais com maior resistência ao fogo, menor emissão de fumaça tóxica (LSZH – Low Smoke Zero Halogen) e características ecológicas ganha cada vez mais força, projetando um futuro onde a segurança e a sustentabilidade caminham juntas na proteção contra incêndios.

Cabo Alarme de Incêndio: Guia Completo para Segurança

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