
ARTIGOS TÉCNICOS

Uma parada intermitente em uma célula automatizada raramente começa no CLP. Muitas vezes, ela nasce em uma especificação de cabo baseada apenas em tensão e número de vias, sem considerar movimento, interferência eletromagnética, ambiente e vida útil esperada. Saber como especificar cabos para automação é transformar um item aparentemente simples em parte ativa da confiabilidade do processo.
Em máquinas, linhas de produção, sistemas de movimentação e plantas de processo, o cabo conduz energia, sinais de controle, dados e realimentação. Cada uma dessas funções exige características construtivas próprias. Usar um cabo inadequado pode gerar ruído em sinais analógicos, falhas de comunicação, aquecimento, trincas na cobertura, rompimento de condutores e paradas não programadas.
Como especificar cabos para automação sem perder requisitos críticos
A especificação deve começar pela aplicação, não pelo catálogo. Antes de definir seção nominal, blindagem ou material de cobertura, é necessário entender qual equipamento será conectado, como o cabo será instalado e quais condições reais ele enfrentará durante a operação.
O primeiro passo é separar os circuitos por função. Cabos de comando para contatores e sensores discretos têm necessidades diferentes de cabos de instrumentação, comunicação industrial, servomotores ou inversores de frequência. Agrupar tudo sob a denominação genérica de “cabo de automação” cria margem para incompatibilidades que só aparecem após o comissionamento.
Uma solicitação técnica consistente deve reunir, pelo menos, os seguintes dados:
- função do circuito, tensão nominal, corrente e tipo de sinal transmitido;
- quantidade de vias, seção dos condutores e necessidade de pares ou ternas;
- método de instalação, comprimento do percurso e raio mínimo disponível para curvatura;
- condição de movimento, como instalação fixa, flexão ocasional, esteira porta-cabos ou torção;
- ambiente de operação, incluindo óleo, umidade, agentes químicos, UV, abrasão, calor e risco de incêndio;
- normas do projeto, exigências do cliente final e documentação requerida.
Essas informações permitem que a engenharia avalie a construção mais adequada. Em aplicações críticas, o custo inicial do cabo representa uma parcela pequena diante do impacto de uma parada, da substituição em campo ou da perda de rastreabilidade do sinal.
Dimensionamento elétrico: mais do que tensão e seção
A tensão nominal deve estar compatível com o circuito e com a classe de instalação, mas não resolve a especificação sozinha. A seção do condutor precisa atender à corrente de carga, à queda de tensão admissível, à capacidade de curto-circuito e às condições térmicas do agrupamento de cabos. Um condutor corretamente dimensionado em bancada pode operar acima da temperatura prevista quando instalado em eletrocalha congestionada ou em ambiente quente.
Em circuitos de controle, o erro mais comum é reduzir excessivamente a seção para economizar material. Bobinas, solenóides e atuadores podem apresentar queda de tensão que compromete o acionamento, principalmente em percursos longos. Já em sinais de baixa intensidade, o ponto central pode ser a estabilidade da medição, e não a capacidade de condução de corrente.
Para instrumentação, avalie a necessidade de pares trançados ou ternas, além da capacitância e da resistência elétrica do conjunto. Sinais analógicos, termopares, transmissores e malhas de controle respondem de forma diferente às perturbações elétricas. A construção do cabo deve preservar a integridade do sinal desde o campo até o painel ou sistema supervisório.
Blindagem e compatibilidade eletromagnética
A presença de inversores de frequência, servodrives, fontes chaveadas e acionamentos eletrônicos elevou a relevância da compatibilidade eletromagnética nas instalações industriais. Nesses ambientes, uma blindagem definida apenas como “opcional” costuma ser uma decisão de risco.
A escolha entre blindagem coletiva, blindagem individual por par ou combinação das duas depende da sensibilidade do sinal e do nível de interferência do entorno. Uma blindagem coletiva pode atender a um conjunto de circuitos de controle. Para instrumentação com múltiplos pares e sinais independentes, a blindagem individual reduz a interferência entre os próprios circuitos, enquanto a blindagem geral reforça a proteção externa.
Também é preciso considerar o material e a cobertura da blindagem. Trança de cobre oferece boa proteção e continuidade elétrica, enquanto fita metálica pode atender a determinadas construções e requisitos. A decisão deve estar associada ao projeto de aterramento. Uma blindagem sem terminação adequada perde grande parte de sua função e pode até criar caminhos indesejados para correntes parasitas.
Em cabos para inversores e servomotores, a atenção deve ser ainda maior. O cabo precisa suportar os esforços elétricos associados a pulsos de alta frequência, ajudar a controlar emissões eletromagnéticas e manter a integridade da ligação entre drive e motor. Aplicar um cabo de potência convencional nesse trecho pode resultar em falhas de isolação, ruído em equipamentos próximos e baixa confiabilidade do sistema.
Movimento, flexão e torção definem a construção mecânica
Um cabo instalado em uma máquina estacionária não deve ser automaticamente aplicado em esteira porta-cabos. A flexão contínua submete condutores, isolações, blindagens e coberturas a esforços repetitivos. Para essa condição, a construção precisa considerar encordoamento adequado, materiais flexíveis, geometria interna estável e cobertura resistente à abrasão.
O raio de curvatura é outro dado determinante. Quando o projeto exige curvas fechadas, o cabo precisa ser desenvolvido para essa condição. Forçar um raio inferior ao recomendado acelera a fadiga mecânica, mesmo quando a corrente e a tensão estão dentro dos limites.
Em aplicações robóticas, além da flexão, pode haver torção contínua. Nesse caso, a distribuição interna dos elementos e o comportamento do conjunto durante a rotação são decisivos. Um cabo inadequado pode apresentar deslocamento de componentes internos, abertura de blindagem e rompimento prematuro. A vida útil deve ser avaliada em ciclos de operação compatíveis com a demanda da máquina, não apenas pela aparência externa do produto.
Cobertura e isolação para o ambiente real
PVC, compostos de borracha, poliuretano e materiais especiais apresentam desempenhos distintos diante de óleo, graxa, fluido de corte, abrasão, intempéries, ozônio, chama e temperatura. Não existe uma cobertura universalmente superior. Existe a cobertura adequada para cada condição de trabalho.
Em áreas externas, por exemplo, a resistência à radiação UV e à umidade precisa estar prevista. Em ambientes com óleo e agentes químicos, a compatibilidade do composto deve ser comprovada para os fluidos envolvidos. Em siderurgia, mineração, portos e áreas de movimentação pesada, abrasão e impacto podem exigir soluções com maior proteção mecânica.
Quando houver requisito de segurança contra incêndio, especifique claramente o comportamento esperado: não propagação de chama, baixa emissão de fumaça, ausência de halogênios, manutenção de circuito em caso de fogo ou combinação desses critérios. São atributos diferentes, aplicáveis conforme a análise de risco e as normas do empreendimento.
Normas, rastreabilidade e validação de desempenho
Normas nacionais e internacionais não substituem a análise da aplicação, mas estabelecem critérios objetivos para construção, ensaios e desempenho. Projetos podem requerer atendimento a ABNT, IEC, padrões americanos, requisitos navais ou referências como NEK-606, conforme o segmento e a contratante.
Na etapa de compra, a descrição deve indicar norma aplicável, tensão, formação do condutor, isolação, cobertura, blindagem, classe de flexibilidade, cores ou identificação, metragem e requisitos de ensaio. Quanto mais crítico o processo, maior deve ser o nível de documentação e rastreabilidade por lote.
Também vale validar a solução antes da instalação em escala. Em uma máquina nova ou em uma substituição recorrente, um teste de campo controlado permite observar raio de curvatura, acomodação em esteira, comportamento da blindagem e desempenho em regime. Esse cuidado reduz a chance de transformar a partida da operação em um teste involuntário de materiais.
A Innovcable atua nesse ponto como parceira de engenharia, desenvolvendo cabos especiais sob demanda para condições elétricas, mecânicas e ambientais específicas. Quando o projeto exige desempenho comprovado, fabricação própria e controle de qualidade, a especificação precisa refletir a realidade da aplicação desde o início.
O melhor cabo para automação não é o de maior número de recursos, mas o que entrega desempenho compatível com o circuito, o ambiente e o ciclo operacional. Leve dados de campo para a especificação, envolva a engenharia antes da compra e trate cada metro de cabo como parte da disponibilidade do seu processo.
Como especificar cabos para automação industrial
Artigos Relacionados

TUDO SOBRE O CABO CONCÊNTRICO: NORMAS E APLICAÇÕES
Cabo Concêntrico: Guia Técnico Completo para Engenheiros e Instaladores O cabo concêntrico representa uma solução de engenharia avançada para redes de

Segurança Crítica: Quando Especificar um Cabo de Incêndio de Alta Performance vs. Convencional
Em sistemas de segurança de vida, como o SDAI (Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio), a especificação do cabo

Qual cabo suporta alta temperatura industrial?
Entenda qual cabo suporta alta temperatura, quais materiais e classes térmicas avaliar e como especificar segurança para processos industriais críticos.

Por que cabos falham em aplicações industriais?
Entenda por que cabos falham em campo e como especificação, instalação e manutenção preservam a confiabilidade em ativos industriais críticos.
Academia do Conhecimento: Informações técnicas, normas e aplicações

TABELAS E CÓDIGOS PARA TERMOPARES
CÓDIGO DE CORES INTERNACIONAL PARA CABOS E FIOS DE COMPENSAÇÃO E EXTENSÃO CÓDIGO DOS CABOS TABELA DE LIMITES DE ERROS

TABELAS DE DIMENSIONAMENTO NBR 5410
DOWNLOAD TABELAS DE DIMENSIONAMENTO NBR 5410 Explanaçâo Com o objetivo de oferecer um instrumento prático para auxiliar no trabalho de

Tabelas de código de cores
Código de cores de acordo com a DIN 47100 No. Colour Short Form 1 WHITE WH 2 BROWN BN 3

TABELA E ORIENTAÇÕES AWG X CONVERSÃO MÉTRICA (mm²)
Desvendando o Padrão AWG: Um Guia Técnico para Profissionais e Entusiastas – American Wire Gauge (AWG) para conversão métrica (mm²)
dúvidas? Envie uma mensagem ao especialista
Acesso à informação científica de ponta é o combustível da inovação. Estas são as bases de dados, periódicos e repositórios que nossa equipe de P&D utiliza para se manter na vanguarda do conhecimento técnico e científico global.
Bases de Dados, Repositórios e Mecanismos de Busca:
- IEEE Xplore Digital Library: A biblioteca digital mais crucial para engenharia elétrica e de computação. IEEE
- ACM Digital Library: Referência para a área de ciência da computação e tecnologia da informação. ACM
- ScienceDirect: Vasta coleção de publicações científicas e livros da editora Elsevier. SCIENCE DIRECT
- Scopus: O maior banco de dados de resumos e citações de literatura com revisão por pares. SCOPUS
- Portal de Periódicos da CAPES: Oferece acesso à produção científica internacional para a comunidade de ensino e pesquisa no Brasil. CAPES
- Google Scholar (Google Acadêmico): Ferramenta de busca focada em literatura acadêmica. GOOGLE ACADÊMICO
- Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD): Repositório da produção científica das instituições de ensino e pesquisa brasileiras. BDTD
- Directory of Open Access Journals (DOAJ): Um diretório de periódicos de acesso aberto de alta qualidade. DOAJ
Periódicos e Revistas Científicas de Destaque:
- Engenharia Naval, Offshore e de Petróleo:
- Ocean Engineering (Elsevier)
- Journal of Ship Research (SNAME)
- Journal of Petroleum Science and Engineering (Elsevier)
- Journal of Marine Science and Engineering (MDPI)
- Revista da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (SOBENA)
- Engenharia Elétrica, Eletrônica e Telecomunicações:
Produtos

Profibus DP DeepSea® ARMADO SHF2
Cabo de barramento; PROFIBUS DP; Instalação fixa; Impedância característica nominal: 150 Ω; 1x2x0,64; SHF2; Retardante de chama: IEC 60332-1-2; violeta; 8 mm

MariTimus® Cabo Naval Unipolar de Potência e Controle 0,6/1 kV XLPE/SHF1 (LSOH) Armado e Flame Retardant
Maritimus® Cabo Naval Unipolar de Potência e Controle; Armado; Max. 300,00mm²; 0,6/1 kV; 1 condutor; XLPE / SHF1; Flame Retardant; +90°C; IEC 60092

MariTimus® Cabo Naval Unipolar de Potência e Controle 0,6/1 kV MICA / XLPE / SHF1 (LSOH) Fire Resistant IEC 60331
Maritimus® Cabo Naval Unipolar de Potência e Controle; Max. 120,00mm²; 0,6/1 kV; 1 condutor; MICA / XLPE / SHF1; Fire Resistant; +90°C; IEC 60092; 60331

MariTimus® Cabo Naval Unipolar de Potência e Controle 0,6/1 kV MICA / XLPE / SHF1 (LSOH) Armado e Fire Resistant IEC 60331
Maritimus® Cabo Naval Multipolar de Potência e Controle Armado; Max. 120,00mm²; 0,6/1 kV; 1 condutor; MICA / XLPE / SHF1; Fire Resistant; +90°C; IEC 60092; 60331